MORTE VIVA? Shellah Avellar

As minhas noites deixaram de ser noites para ser final dos tempos.


Em obscuridades, busco a mais tola superficialidade da vida mundana.


Entretanto, paradoxalmente, em monólogos de Narciso, inexpugnável em minha angústia, me lixo para os artifícios.


A solidão nos estupra.


O medo nos esbofeteia.

A melancolia nos acaricia.

Num átimo de segundo passo da reflexão ao desvario.

Vou do rigor racional ao fundo do coração.

Entretanto, cada uma destas perspectivas é fragmentária.

Persiste uma sombra querendo ser luz, por trás das palavras.

Um ápice silencioso que propague seus ecos.


A plena consciência do efêmero me grita um algo mais para além dos limites  dos sentidos.

O mundo inteiro, hoje, passa pelo crivo da eternidade.

Ironicamente ,um vírus devorador a ultrapassa e a subverte.

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