AMELINHA TELES -MILITÂNCIA NO DISCURSO E NA VIDA

Shellah Avellar

Estive com Amelinha pessoalmente algumas vezes, próxima ou distanciada,mas, sempre uma experiência singular, de alta intensidade afetiva.

Talvez, as vozes estridentes do silêncio  em nós, nos tenha irmanado por trazer à baila situações dramáticas de violência, cada uma com a fatia histórica de suas dores.

Em maio de 2025 , organizei no Centro Universitário Maria Antônia,o painel 61 ANOS DO GOLPE  -MÃES E FILHAS NA REPRESSÃO, onde reuni estas mães guerreiras , que foram torturadas grávidas e outras que foram torturadas na frente de seus filhos durante a ditadura militar, numa celebração às avessas do Dia das Mães .

É preciso pontuar que O Dia das Mães,foi criado por Anna Jarvis para homenagear a sua mãe, a ativista  Ann Jarvis, que prestava serviços sociais a famílias e mães em situação de vulnerabilidade.

A celebração ganhou força popular e o presidente estadunidense Woodrow Wilson oficializou a data em 1914, definindo o segundo domingo de maio como o Dia das Mães. Anos depois, Anna Jarvis lutou contra a comercialização da data, pois o objetivo original não tinha cunho mercantilista.

Até então estava tudo “em casa”. Amelinha, Crimeia sua irmã, Rita Sipahi e Camila  Sipahi Pires,Mariluce Moura e Tessa Moura Lacerda

Ela me incentivou a  continuar organizando os painéis.

Mas, apesar de parecer apenas mais uma tarde qualquer em que se debate Violência de Estado, um tornado nos tirou da zona de conforto, imantando a resistência cunhada na intrepidez de cada uma de nós.

Houve outros encontros, entretanto, ali, as velas desfraldadas deram lugar a uma inexplicável calmaria. A glória encontrou no ultraje seu verdadeiro brilho. Nenhuma daquelas mulheres perseguidas pelo flagelo, se rendeu ao infortúnio.

Cada uma continuou seu próprio caminho abrindo outras frentes, inspirando-se umas às outras e se   fortalecendo numa fraternidade viril.

Então, em 15 de setembro de 2026,DIA INTERNACIONAL DA DEMOCRACIA, veio a notícia: Amelinha se encantou. Foi para os vales atemporais onde certamente sua voz continuará ecoando sonhos de Liberdade ,Justiça, Democracia e Soberania.

E na UNIFESP -Universidade  Federal de São Paulo, fomos dar nosso até logo carinhoso e já repleto de saudade.

Militantes de esquerda, ativistas, coletivos de Direitos Humanos e Feministas, ex alunos, companheiros, amigos e família num coro de solidariedade e gratidão saudaram sua trajetória com simplicidade e comprometimento em levar adiante sua luta.

Encontrei vários camaradas e todos tinham o mesmo olhar de respeito e sororidade.

Lá estavam Mariluce e Tessa , e nossos olhos e mãos  se cruzaram num assentimento de parceria consolidada como espelhos  que  refletiam nossas  cicatrizes.

Que os direitos adquiridos legitimamente pela sua (nossa)luta  sejam salvaguardados, em sua memória e a dos nossos queridos que se foram e dos que ainda estão aqui.

Ironicamente, a grande mídia  impressa e eletrônica , finalmente se rendeu à sua grandiosidade, honrou suas batalhas e ainda reverbera fotos, vídeos, entrevistas e depoimentos que foram ocultados do  público que desconhecia sua tenacidade e estoicismo em prol da Memória, Verdade, Justiça e Reparação, para vítimas e afetados pela Violência de Estado.

AMELINHA, PRESENTE!

Professora, escritora e ativista, sua trajetória é conhecida e aclamada pela esquerda brasileira.

Amelinha Teles – Wikipédia, a enciclopédia livre

Centro Universitário Maria Antônia

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